segunda-feira, 21 de março de 2016

A carta

A você, meu amigo,

Saudades pelo tempo que me consome e me impede de lhe dar atenção e lhe dizer que você é um ótimo amigo!

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos. Não percebem o amor que lhes devoto e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade. E eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos! Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos e o quanto minha vida depende de suas existências...

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem. Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. Mas, porque não os procuro com assiduidade, não posso lhes dizer o quanto gosto deles. Eles não iriam acreditar.

Muitos deles estão lendo esta crônica e não sabem que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, embora não declare e não os procure. E às vezes, quando os procuro, noto que eles não tem noção de como me são necessários, de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, porque eles fazem parte do mundo que eu, tremulamente, construí e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado. Se todos eles morrerem, eu desabo! Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles. E me envergonho, porque essa minha prece é, em síntese, dirigida ao meu bem estar. Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles. Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos, cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim, compartilhando daquele prazer...

Se alguma coisa me consome e me envelhece é que a roda furiosa da vida não me permite ter sempre ao meu lado, morando comigo, andando comigo, falando comigo, vivendo comigo, todos os meus amigos, e, principalmente os que só desconfiam ou talvez nunca vão saber que são meus amigos!

A gente não faz amigos, reconhece-os!

terça-feira, 15 de março de 2016

Um final

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A vontade é muita...

Não encontrei ninguém
capaz de me preencher
como um dia você preencheu...




A dor palpita
 como algo fosse sair de dentro para fora...

a vontade de gritar
e sair a sua procura
é sanada com a razão

de que um dia
aquelas palavras foram mais fortes

que a imagem visualizada:
outra pessoa no meu lugar...









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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Brincando de amar

O amor é uma coisa engraçada
Sempre que eu o dou, ele retorna para mim
Mas enquanto eu tento esquecê-lo, ele vem devagar e me surpreende
E é maravilhoso estar
Dando-o com todo o meu coração
Enquanto meu coração recebe
Seu amor

Estrela brilhantes parecem
se unir ao redor de seu rosto
quando você ama alguém
isso retorna para você

E o amor é uma coisa engraçada
se desmancha com a paixão
confunde a mente
e omite tudo do coração

Faz o sangue fluir com energia
como um sonho acordado
é o que eu desejava, está acontecendo
chegou na hora certa...

Quando você ama alguém
seu coração bate tão alto
Quando você ama alguém
Seus pés não conseguem sentir o chão

Oh, talvez, não seja legal que esta noite
só tenhamos um ao outro
mais do que um parceiro, ou amantes,
sou seu amigo

Quando você ama
O mundo se torna melhor!

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Reticências



O amor é apenas um adiamento do sofrimento...

"Mantenha a calma", todos dizem...

Porque só o tempo pode curar.




O tempo pode curar, mas e a ausência que fica?

Temos que compensar em outras relações?

E aquele toque, afago, carinho, momentos que passaram ou que foram planejados...




O amor, independente da relação humana que tenha ou esteja, é um adiamento do sofrimento.




Se você parar para pensar, é isso e ponto.

Nascemos sozinhos, morreremos sozinhos. Ninguém vai junto, a não ser que sejam siameses, porém, não convêm na minha dialética emotiva.




Nossas relações nos mantém vivos, sinérgicos, com a vibração positiva e excêntrica.




Pais, irmãos, parentes, amigos, colegas são os responsáveis por esse sentimento louco e gradativo.




Gradativo, porque nada é constante e, ao longo do tempo, é construído, moldado, um sentimento que, quando fica, dificilmente é esquecido ou deixado de lado. Afinal, quando você ama, você é cativado e cativa também, e parte de você fica na pessoa e parte da pessoa fica em você. É uma troca. Não digo modulado, pois, nada vem pronto e definido.




Somos humanos e nossas relações são inconstantes e instáveis. Têm dias que se gosta, têm dias que se apega, têm dias que se danem as definições. O mundo tem dias, os dias tem previsões, por que você não teria tais estações dentro de si?




Ultimamente, não vejo uma linha tênue no qual divide se o amor é definido entre um sentimento ou uma atitude. Esse sentimento ou atitude causa dependência - isso não nego! -, porém, ademais, uma dependência de outrem, para que o amor exista e permaneça.




A compreensão para isso vai além de uma relação, pois, esta nos absorve e nos envolve de uma maneira que nem especialistas sobre o assunto compreendem quando começa um amor. Posso ter sentido uma paixão, um "amorzinho" leve, entretanto, o que seria das paixões se não fossemos efêmeros e amorosos naqueles dias...




Podemos ter motivos para esquecermos de amar, mas não há razões que impeçam de deixarmos de amar.