quarta-feira, 9 de abril de 2014

Mutação lírica


Não sou bom com frases prontas ou textos pré formulados, gosto de faze-los a seu tempo, sem pressa, sem pressão, sem receita, sem modelo a seguir...

Sou bom com números exatos, já, aqueles desconfiados, em que se supõe que o resultado não seja aquele, eu retomo. Retorno e enfrento até pedir um cigarro e um chiclete para acalmar.

Não sou bom com morais de histórias, apesar das minhas estórias serem algo moral e ético a discutir com a sociedade.

Gosto do que me tira o fôlego, aquela angústia por mais e mais...
Uma vontade que não para.


Venero o improvável e subestimo o impossível. Almejo quase sempre o impossível.


Visto meu sonho, coloco foco por  cima, calço meus objetivos e ando com minhas metas a pé.

Tenho um ritmo que me complica. Quase sem tempo.

Uma palavra que não dorme, não relaxa, não desvia.

Quer um bom desafio? 
Experimente gostar de mim. Não sou fácil. Por vezes, sou conhecido por "chato". Eu viro e me transformo no "chato" e meio. Para você.

Não coleciono inimigos. Quase nunca estou para ninguém. 

Mudo de humor conforme a lua. Afinal, sou de Gêmeos, péssima referência, porém, quando se lê a respeito, tudo se encaixa. Sustentar duas almas divergentes num corpo aderente por mudanças não é fácil, concordo. Irrito-me fácil, por outro lado, meu riso aparece constantemente.

A minha tristeza é deixada para meu eu-lírico, enquanto o meu eu-pessoa já aprendeu a sorrir. Porém, tudo se mistura ao mesmo tempo.

Se assim o sou, saiba que, também, tenho o desassossego dentro do bolso e um par de asas que nunca estão confortadas. Às vezes, quando é tarde da noite, eu viajo. Com ou sem ajuda de objetos lícitos e ilícitos - moralmente falando. E - sem saber - busco respostas que não encontro aqui ou ali.

Ontem, eu perdi um sonho. Hoje, acordei chorando. Amanhã, estarei sorrindo.
Um dia, quando menos me espera, eu me supero e vou formando uma identidade.

A verdade é que, nessa vida, nos transformamos e isso é um ato gradativo. Seja um pouco hoje, seja nada amanhã pela manhã. 

Muitas ideias e ideais. 

Cheguei em casa ...

... e troco minha vestimenta.

terça-feira, 8 de abril de 2014

O meu jeito


Esqueço do seu jeito e renovo minhas curvas, minhas manias, minhas ideias...
Vejo a cama amassada, você deitado e lembro da briga de ontem.


Desobedeço a pressa e me demoro criando um verso torto pra nossa história ida. Crio e recrio, mas os versos são meus para uma história que será minha e não mais nossa.

Desembaraço meus cabelos com os dedos pontiagudos do teu desprezo.
"Desrestabeleço" as regras que você criou pra não me ver e apareço nu a tua porta numa dessas madrugadas frias. E deixo você tenso quando tento, argumento, deito ao lado. Diz um não cheio de sim e deixa: me abraça todo contrariado. A vontade possui, porém fica escondida atrás dessa tua ignorância e soberba ridícula.

Fico rouco pra sussurrar no teu ouvido melodias eróticas. Por que você não me quer ainda? Preciso fazer o que? Materializar o vulgar?

Se eu danço dentro dos teus olhos e embaço tuas retinas de desejo... Espalho sorvete no seu corpo, misturo aos granulados e sorvo inteiro o líquido já arrepiado.

Sua mágoa tola respinga em mim e eu não ligo. Se é o desejo que faz minha boca macia pra você beijar... E é no suspiro do último prazer que eu me contorço inteiro em chamas azuis...

Rabisco clavas de sol com a língua no seu sexo ereto e engulo o seu ressentimento leitoso.

Você geme forte e nada diz.
E é nesse intervalo silencioso, que bebo no teu sêmen tua semântica.

Vou embora porque é de idas que é feito o amor frouxo, e é com voz flácida que é feito o adeus que eu nunca quero dizer, mas sempre digo... 

E só pra que não fiques sem resposta, já que não dizes nada, deixo o adeus pregado ali: do lado de fora da tua porta. 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Mudanças

Caminho, caminho sem pressa, sem horizonte, sem destino
Apenas, caminho
Ontem, tinha pressa, ansiedade por resolver as coisas
Inquietude por soluções


Hoje, deixo as ondas frias baterem
Despreocupado, quieto,
Apenas, observo
Desapontado, quem sabe
Por saber da resposta, por saber do piso incerto
Mas, ainda estaria sendo ansioso, inquieto,
ainda assim, com consciência, de que um passo dado não será retomado...



Desta vez eu sigo, mas sem olhar para trás

Encaixoto minhas coisas, guardo as melhores lembranças, reciclo os melhores livros, tantos livros, tantos sentimentos, tantas roupas, tantas sensações, tantos papéis, tanta saudade.


Saudade da não responsabilidade, saudade da ingenuidade, saudade das saudades
Não pertenço mais a esta casa, não pertenço mais a lugar nenhum
Alguma coisa em mim clama por mais,

por mais aprendizado, por mais ação, por mais emoção,
por mais e mais, já que o que aprendi já dominei.
E ainda há tanto o que melhorar, tanto em que se aperfeiçoar


E ainda há tanto espaço para o que não sei

Apenas, sigo

Sei que terei que fazer escolhas
Dessas, já escolhi muitas e ainda têm muitas por vir

Também, sigo, com frio no estômago,
Sigo pelos caminhos que a vida teceu: com todas as mudanças bruscas, algumas coisas sobreviveram, mas, algo em mim mo
rreu.

Ainda, acompanham-me a esperança entusiasmada,
Alguma gratidão, e
O amor por tudo, sempre.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Os gestos falam por si

Quer coisa melhor do que poder ficar quieto ao lado de alguém, sem que nenhum dos dois se atrapalhe com isso? 

Não é pela ansiedade que se mede a grandeza de um sentimento. 


Sentar, ambos, de frente pra lua, havendo lua, ou de frente pra chuva, havendo chuva, e juntos fazerem um brinde com as taças, contenham elas vinho ou café, a isso chama-se trégua. 


Uma relação calma entre duas pessoas que, sem se preocuparem em ser modernos ou eternos, fizeram um do outro seu lugar de repouso.



Preguiça de voltar à ativa? 
Muitas vezes, é. 



Mas também, vá saber, pode ser amor.