terça-feira, 27 de novembro de 2012

I just had an epiphany!


Poderia julgar que uma palavra com classe, gênero e número, poderia ser algo, extraordinariamente, divino. Seria muito blasée escrevê-la só por escrever. Não serei apático, indiferente; mesmo porque, só ao pronuncia-la, a dita cuja já impõe respeito. Sob a natureza de qualquer um.

Ela chega e, com orgulho, permanece. Afinal, sua manifestação pretende ser simples, mas, ao mesmo tempo, majestosa. Subitamente, ao senti-la, causa-nos uma sensação de realização. Algo compreendido da mais pura essência. Por mais natural que possa aparecer, por mais coincidência que notamos (ou não), acontece todos os minutos, a qualquer momento, a qualquer lugar. Ingênua eureca!

Sobrenatural. Natural. Começo por negar qualquer possibilidade de me afirmar poeta, posto que a minha identidade possa realmente estar nas palavras que profiro ou silencio. Porque eu sei que as pessoas não só entenderão, mas sentirão. Haja vista, você e eu bebemos na mesma fonte por termos como ofício o amor pelas/das/nas palavras. Enquanto vou escrevendo, você, caro leitor, vai se deleitando das palavras como poetas livres a ‘passarinhar’ de liberdade e de prazer num universo infinito de vivências, levado pela sedução do momento.

Movimento retardado, paradoxal: construímos mais computadores para armazenar mais informações para produzir mais cópias do que nunca, mas temos menos comunicação. Tivemos avanços na quantidade, mas não em qualidade. Era de informações, não era?

Estes são tempos de refeições rápidas e digestão lenta; de homens altos e caráter baixo; lucros expressivos, mas relacionamentos rasos. Estes são tempos em que se almeja paz mundial, mas perdura a guerra nos lares; temos mais lazer, mas menos diversão; maior variedade de tipos de comida, mas menos nutrição. O ‘muito’ levado a ‘nada’. São dias de duas fontes de renda, mas de mais divórcios; de residências mais belas, mas lares quebrados. São dias de viagens rápidas, fraldas descartáveis, moralidade também descartável, "ficadas" de uma só noite, encontros e desencontros, corpos acima do peso, e pílulas que fazem de tudo: alegrar, aquietar, matar. Mascarar. É um tempo em que há muito na vitrine e nada no estoque; um tempo em que a tecnologia pode levar-lhe estas palavras e você pode escolher entre fazer alguma diferença, ou simplesmente apertar a tecla DEL.

Não há acaso quando todos os caminhos convergem para o mesmo ponto em nome da arte; assim como não há fronteiras quando a literatura serve de passaporte para transcender os mais longínquos lugares que só a arte pode indicar. Meus momentos de epifania que fazem eu filosofar está ligada diretamente a minha melancolia. Pois, daí, divido-me e, aos poucos vou me reconstruindo e ‘faxinando’ os montes do passado deixados de lado e guardados no mais profundo baú das memórias. Música que me tira deste mundo, leva para os mais aguçados e instigantes pensamentos. É o que entorpece meus sentidos, é o que desperta minha raiva ou simplesmente me abraça. É o que, quando me calo, fala por mim. Sou eu. É o que me faz suportar o nada e, ao mesmo tempo, tudo.

A vida com (meu) S...

Aprendi que com S posso escrever Sabedoria,

Sonhador, Sorrisos, Sensato, Sagaz,
Super, Silencioso, Seguro, Sábio,
Sereno, Saudável, São, Sorrateiro,
Sensível, Sensitivo, Serelepe,

Simulacro, Simulador,
Sintonia, Sinfonia,
Sem-querer,

Sem tuas escoras,
Sem o teu domínio,
Sem tuas esporas,

Sem o teu fantasma,
Sem tua moldura,
Sem o teu fascínio,


Começar de novo ....
Aprendi a curtir: muita sombra e água fresca.


Também, aprendi a escrever:
solidão, ilusão, medo,
criação, tentação, dedicação,
Falação, decoração, meditação,
Perdão, imaginação, coração

Tantas, coisas tantas
Tantas coisas, tantas

Aprendi
Sobre ser sempre, Sergio Luiz!

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Intensa Verdade

Eu sei que vou te esquecer,
Por mais que eu negue isso
Eu sei que você queria isso
Por uma despedida amigável
Eu sei que, um dia, acabaria assim
Um dia,
o tempo se encarregaria de ocultar o próprio tempo
o momento se tornar em vão
Mas, ainda assim,
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida.

Em cada despedida
Em cada travessa
Em cada cruzamento
Em cada esquina

Você não me ensinou a te esquecer
O seu convívio foi constante
o toque foi intenso
Procuro não pensar mas sempre sonho com você
Seu beijo, seu perfume, sua pele a me tocar
Prefiro não lembrar mas não consigo esquecer
Aquele seu sorriso e tanto amor no seu olhar
Você só me ensinou a te querer
Desejar-te cada vez mais
Sonhar além do horizonte
entre o real e o surreal
E te querendo
eu vou tentando te encontrar

Em cada despedida
Em cada travessa
Em cada cruzamento
Em cada esquina

Vou me perdendo
Buscando em outros braços seus abraços
seus beijos, seus desejos,
Libertinagem
Perdido no vazio de outros passos
Perdido na moléstia desse epiceno
Dessa devassidão
Do abismo em que você se retirou
E me atirou
e me deixou aqui sozinho

O amor deixa marcas que não dá pra apagar
Nesse desespero em que me vejo
Cabeça doida, coração na mão
E às vezes eu deixei
Você me ver chorar sorrindo...

Já cheguei a tal ponto
De me trocar diversas vezes por você
Só pra ver se te encontro
E sem saber direito a hora e o que fazer
Eu não encontro uma palavra para te dizer
Desesperadamente, agora, que faço eu da vida sem você?

E cada verso meu será
Prá te dizer
o que sempre quis dizer
que eu sei que vou te amar
Por toda minha vida.

Em cada despedida
Em cada travessa
Em cada cruzamento
Em cada esquina

Eu sei que haverá um ponto
Um momento
em que dois destinos sempre se (re)encontram.
Eu sei que chorei
A cada tua ausência
eu vou chorar
Porém, cada volta
cada retorno teu há de apagar
O que esta ausência
esta falta tua me causou
e me causa
A alma do homem é fraca
O corpo está frio
os sentimentos adormecidos
Eu sei que vou sofrer a eterna desventura de viver
a queda de outros braços adormecidos em meu pescoço
A espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Rabisco riscos!


Rir é correr risco de parecer tolo. Chorar é correr o risco de parecer sentimental. Estender a mão é correr o risco de se envolver. Expor seus sentimentos é correr o risco de mostrar seu verdadeiro eu. Sua identidade. Defender seus sonhos e ideais, diante da multidão, é correr o risco de perder as pessoas. Amar é correr o risco de não ser correspondido. Viver é correr o risco de morrer. Confiar é correr o risco de se decepcionar. Conseguir é correr o risco de fracassar. Mas, os riscos devem ser corridos, tomados, apurados, contabilizados. Porque o maior perigo é não arriscar. Possuir nada.
Há pessoas que não correm nenhum risco. Não fazem nada, não têm nada e são nada. Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas elas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem. Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade. Somente a pessoa que corre riscos é livre. Ou, um aventureiro.

Às vezes, um sorriso falso pode ser um consolo para nós mesmos. Às vezes, não damos valor aos amigos, aos familiares, as pessoas que amamos, mas quando perdemos, vemos o quanto eles fazem falta. Saudade. Ah! A saudade.
Ela dói tanto que às vezes queremos tirar alguém dos nossos pensamentos para ficarmos bem. A solidão pode ser o melhor remédio ou a pior droga, depende do momento. Chorar é como tirar um peso da consciência com as mãos. É criar nos olhos o suor de uma emoção passada e que, talvez, há esperanças de acontecer novamente. Ou, pode nos render simplesmente mais dor de cabeça ainda.
Bom mesmo é amar, sorrir, cantar, viver como se não houvesse o amanhã. É andar por aí de cabeça erguida, ser você mesmo. Amar os amigos, fazê-los bem, para que você se sinta bem também.


Afinal, viver é correr riscos, sem ter a noção de que estes estão ali, a espreita. Porque se preocupar é correr o risco de não tentar.